Pra que servem as palavras...

"Uma certa pessoa me disse algo parecido com: "espera que eu consiga chamar a atenção de alguém com todas as palavras que declaro e que com ela consiga alcançar o que pretendo". As palavras quando declaradas com intenção de chamar a atenção são conotativas, não são francas, aqui precisamente resolvi abrir apenas um espaço de compartilhamento, divisão. Não há o que pretender. Apenas exercitar a alma. As pessoa andam vazias demais de romantismo. Digo romantismo no sentido de doação, olhar terno, bondade. O mundo hoje é "apanha e devolve", nada de discernimento ou autenticidade. Sempre fui essa romântica das mais bregas. Que não tem medo, nem vergonha de dizer o que sente. Mas isso tem um preço. Justamente pelo mal do mundo, pois o romantismo com toda a sua franqueza tomou as vezes de um tapa, e o ser confuso te rebate de surpresa, sem saber o que realmente quer dizer as tais palavras. Encarar uma perda importante, é encarar uma morte. Tem fases. Alguns se sentem feridos no inicio. O mais estranho são outros, que se ferem com o tempo, só sentem depois. Como entender ou explicar essas manias de sentimento? O avassalador vem com toda a força e é preciso cuidado para não se perder e cometer as mais inconsequentes ações. Apanha e devolve. Mas devolve pra si mesmo, e essa devolução não precisa ser dolosa, pode ser reflexiva. É como dar a outra face. Pior é não tentar. Tentar, tentar e tentar. A vitória vem dessa atitude: a tentativa. Essa vitória pode ser qualquer coisa, por vezes não exatamente o que se buscava, mas algo muito maior, pode até nem ser tão bom, mas extremamente necessário. Pra que servem as palavras? As palavras servem, em meu entendimento, para registrar tudo o que se passa, o que se passou e que de repente pode ser útil ou apaziguador para um coração, através dos olhos de quem a ler, sem as lentes da soberba e do orgulho. Um verso, uma canção....tudo são palavras....elas são admiradas e sempre servirão para a melhor das intenções, seja ela qual for...pobre de quem as ignora."

"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim...Suas palavras seriam as mais simples do mundo, porém não sei que luz as iluminaria que terias de fechar teus olhos para as ouvir...Sim! Uma luz que viria de dentro delas,como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel! Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento da poesia...como uma pobre lanterna que incendiou! "
 Mario Quintana